
Não é nenhum sucesso que a campanha do presidente Barack Obama em 2008 foi devido, em grande parte, ao apoio esmagador dos eleitores com idade até 29 anos (66%).
Por todas as contas, ganhar um segundo mandato será quase impossível sem o mesmo apoio. Por outro lado, garantir o voto dos jovens será um desafio. A aprovação popular de Obama caiu 13 pontos desde julho, portanto é algo historicamente imprevisível. Para contrariar o declínio da sua popularidade, a campanha do presidente terá de implantar uma estratégia de mídia social que combina técnicas inovadoras de extensão com foco na participação da juventude.
Antes de abordar o que a estratégia do presidente deve ter, é importante entender essa demografia, tanto como consumidor quanto como leitor. Uma pesquisa recente da Pew Research Center descobriu que 83% dos usuários de Internet com idades entre 18 e 29 anos usam sites de redes sociais. O percentual cai significativamente com o aumento da faixa-etária (apenas 51% das pessoas entre as idades de 50 e 64 anos).
Segundo o último censo feito nos Estados Unidos, os eleitores com idade até 24 anos compunham 10% dos eleitores em 2008.
O censo encontrou, que, em 2010, um em cada três americanos com idade entre 20 e 29 anos estavam desempregados. Com base nisso, o presidente deve se conectar com grupos e fazer que entendam seu caso porque eles devem apoiá-lo tão fortemente como fizeram a três anos.
Após a vitória de Obama em 2008, a OFA (Organization for American) recebeu elogios por sua estratégia de mídias sociais. Essa admiração foi muito bem merecida, principalmente porque a OFA implementou uma ferramenta que era estranha para quase todos os outros na política profissional. David Axelrod, principal estrategista da campanha de 2012 e ex-conselheiro sênior do presidente, reconheceu que “muito do nosso apoio (em 2008) veio dos mais jovens, pessoas mais conectadas”.
Mas agora o elemento surpresa não existe mais. Deve se considerar os diferentes cenários das mídias sociais em 2008 e hoje.
1. Em 2008, o Facebook tinha apenas 100 milhões de usuários, esse número aumentou 8 vezes desde então.
2. Em 2008, o Twitter rinha apenas 8 empregados, hoje são mais de 400.
3. Em 2008, o Youtube tinha em média 13 horas de vídeo sendo enviados a cada minuto, esse número é de 48 horas atualmente.
4. O Foursquare ainda não existia em 2008.
Mais importante, hoje quase todos os políticos usam as mídias sociais. Faltando treze meses para as próximas eleições dos Estados Unidos, a página do presidente Obama tem mais de 23,6 milhões de de “Curtir”, ele possui 10,7 milhões de seguidores no Twitter e mais de 165 milhões de visualizações no Youtube.
No entanto, não é suficiente simplesmente gravar uma mensagem de vídeo ou tweetar sobre um evento. Os eleitores mais jovens querem interagir e fazer parte da conversa.
A campanha de Obama terá que abordar as mídias sociais como uma porta de entrada para um grande diálogo de mão dupla, e não um veículo para empurrar pontos de campanha tradicionais. “A mídia social passou de uma plataforma de publicação para um espaço realmente interativo”, disse Andrew Foxwell, gerente de marketing e novas mídias da iConstituent, em uma entrevista recente para a Associated Press. “Você tem que interagir. Esse é o valor acrescentado dos meios de comunicação social”. Enquanto a campanha de Obama tem uma parceria com o Facebook e com o LinkedIn para sediar eventos interativos, sua estratégia será necessária para se tornar mais fluida e consistente o modo como o presidente entra em “modo de campanha”.
Essas conversas de duas vias são fundamentais para atrair os jovens eleitores, porque a probabilidade de votar é muito errática. O número de eleitores entre aqueles com idade entre 18 e 29 anos caiu 60% entre 2008 e 2010, de acordo com o Centro de Informação e Pesquisa sobre Educação e Engajamento Cívico (CIRCLE – sigla em inglês). Embora a participação nas eleições presenciais sejam tipicamente mais elevadas, o presidente terá de enfrentar um grande risco para conseguir levar os eleitores mais jovens, sem entusiasmo e, muitas vezes desempregados às urnas.
“Desde 2004, os eleitores jovens são um dos mais fortes eleitores democratas”, explicou o diretor do CIRCLE, Peter Levine, que disse ao The Nation que “democratas precisam envolvê-los melhor do que fizeram em 2010″. Interagir com os eleitores mais jovens através da mídia social terá de ser uma pedra angular das táticas do presidente.
Se os eleitores mais jovens ficam em casa no dia da eleição, assim como eles fizeram em 2010, as chances do presidente se reeleger serão muito remotas. Para desenhar esse segmento de eleitores às urnas, o presidente Obama terá de não apenas falar para eles, mas com eles. A estratégia da campanha de mídia social terá que ser forte – tendo em vista os eleitores como mercadoria se sua atenção, e mais importante, o seu voto. [via Mashable]