Novas mídias e novos efeitos: o agendamento digital
Resumo do artigo originalmente publicado na 62ª reunião da SBPC em Natal/RN, 2010, em colaboração com Ana Célia da Rocha Santos
Tradicionalmente, os processos de comunicação eram considerados assimétricos: existe um agente midiático, que emite o estímulo, e um receptor, que é atingido por esse estímulo e reage. Hoje, este sistema apresenta-se modificado, o receptor passou a ser também emissor. A natureza fundamental desta nova agenda aparece de maneira diversa, organizada por coletivos digitais, enquanto a televisão essencialmente reorganiza ou reordena seus principais temas.
É possível afirmar que estejamos testemunhando novas formas de mediação e midiatização comunicacional. Pesquisas apontam que as pessoas estão mais propensas a considerar a Internet como principal fonte sobre assuntos complexos, como a genética; neste contexto, os médicos aparecem como a segunda fonte provável. Os resultados de pesquisas como esta levantam questões sobre as alterações estruturais nas mídias, decorrentes da mudança na prática específica de produção e circulação de informações, que afetam suas relações com a esfera pública.
Partimos da mudança no problema-chave da teoria do agendamento: os websites estão desenvolvendo sua própria agenda, baseada em interesses comuns, demonstrando que informações podem ser produzidas por sujeitos que eram definidos como “audiência”. Classificamos a informação em: a. Superficial; b. Conhecimentos mais articulados; c. Informações mais específicas.
Os resultados, baseados também em estudo realizado pela ASIST, indicam que a televisão desempenha um papel secundário ao estabelecer a agenda nos níveis dois e três, que implicam um conhecimento mais profundo, e que a internet é a fonte mais procurada para um aprofundamento acerca de temas como a genética, objeto do estudo em questão. Analisamos a pesquisa do Instituto Nielsen sobre o grau de confiabilidade das pessoas em recomendações de produtos emitidas por conhecidos (noventa por cento), opiniões postadas online (setenta por cento) e através da televisão (sessenta e dois por cento).
Estudamos ainda os websites Twitter, que questionava “o que você está fazendo?” e atualmente pergunta “o que está acontecendo?”, e é o único espaço no qual empresas como Sony veiculam seus pronunciamentos oficiais; e o Myspace, que revolucionou a indústria fonográfica através da distribuição de músicas – gratuitamente – pela internet.
A esfera pública digital é um espaço em que são apresentados ao público (e pelo público) uma lista de fatos a respeito dos quais se pode ter uma opinião e discutir, baseado no fato de que a experiência direta, imediata, e pessoal de um problema torna-o significativo, a ponto de atenuar, em segundo plano, a influência cognitiva dos MCM. A Internet se tornou um instrumento central de informação e, para o jornalista, uma alternativa para publicação e um novo manancial de informações.
Devemos, porém, admitir que certas especificidades técnicas atribuem uma relevância particular à informação televisiva e, portanto, uma potencialidade maior de sua parte para obter efeitos de agenda-setting, através de coberturas televisivas, por exemplo, para informar a respeito de eventos “extraordinários”.
Compreendemos que o processo de agenda tem se tornado um processo coletivo, com um grau de reciprocidade nos seguintes movimentos: a. As pautas tratadas superficialmente pelos MCM são aprofundadas pelo público na internet; b. As pautas fomentadas na Internet são popularizadas pelos MCM, pois estes têm, ainda, maior penetração no grande público; c. Há, ainda, as pautas fomentadas e popularizadas na Internet, num movimento vertical público-público, independente da grande mídia.











