Categoria: Cibercultura

Novas mídias e novos efeitos: o agendamento digital

Resumo do artigo originalmente publicado na 62ª reunião da SBPC em Natal/RN, 2010, em colaboração com Ana Célia da Rocha Santos

Teoria do Agendamento

Tradicionalmente, os processos de comunicação eram considerados assimétricos: existe um agente midiático, que emite o estímulo, e um receptor, que é atingido por esse estímulo e reage. Hoje, este sistema apresenta-se modificado, o receptor passou a ser também emissor. A natureza fundamental desta nova agenda aparece de maneira diversa, organizada por coletivos digitais, enquanto a televisão essencialmente reorganiza ou reordena seus principais temas.

É possível afirmar que estejamos testemunhando novas formas de mediação e midiatização comunicacional. Pesquisas apontam que as pessoas estão mais propensas a considerar a Internet como principal fonte sobre assuntos complexos, como a genética; neste contexto, os médicos aparecem como a segunda fonte provável. Os resultados de pesquisas como esta levantam questões sobre as alterações estruturais nas mídias, decorrentes da mudança na prática específica de produção e circulação de informações, que afetam suas relações com a esfera pública.

Partimos da mudança no problema-chave da teoria do agendamento: os websites estão desenvolvendo sua própria agenda, baseada em interesses comuns, demonstrando que informações podem ser produzidas por sujeitos que eram definidos como “audiência”. Classificamos a informação em: a. Superficial; b. Conhecimentos mais articulados; c. Informações mais específicas.

Os resultados, baseados também em estudo realizado pela ASIST, indicam que a televisão desempenha um papel secundário ao estabelecer a agenda nos níveis dois e três, que implicam um conhecimento mais profundo, e que a internet é a fonte mais procurada para um aprofundamento acerca de temas como a genética, objeto do estudo em questão. Analisamos a pesquisa do Instituto Nielsen sobre o grau de confiabilidade das pessoas em recomendações de produtos emitidas por conhecidos (noventa por cento), opiniões postadas online (setenta por cento) e através da televisão (sessenta e dois por cento).

Estudamos ainda os websites Twitter, que questionava “o que você está fazendo?” e atualmente pergunta “o que está acontecendo?”, e é o único espaço no qual empresas como Sony veiculam seus pronunciamentos oficiais; e o Myspace, que revolucionou a indústria fonográfica através da distribuição de músicas – gratuitamente – pela internet.

A esfera pública digital é um espaço em que são apresentados ao público (e pelo público) uma lista de fatos a respeito dos quais se pode ter uma opinião e discutir, baseado no fato de que a experiência direta, imediata, e pessoal de um problema torna-o significativo, a ponto de atenuar, em segundo plano, a influência cognitiva dos MCM. A Internet se tornou um instrumento central de informação e, para o jornalista, uma alternativa para publicação e um novo manancial de informações.

Devemos, porém, admitir que certas especificidades técnicas atribuem uma relevância particular à informação televisiva e, portanto, uma potencialidade maior de sua parte para obter efeitos de agenda-setting, através de coberturas televisivas, por exemplo, para informar a respeito de eventos “extraordinários”.

Compreendemos que o processo de agenda tem se tornado um processo coletivo, com um grau de reciprocidade nos seguintes movimentos: a. As pautas tratadas superficialmente pelos MCM são aprofundadas pelo público na internet; b. As pautas fomentadas na Internet são popularizadas pelos MCM, pois estes têm, ainda, maior penetração no grande público; c. Há, ainda, as pautas fomentadas e popularizadas na Internet, num movimento vertical público-público, independente da grande mídia.


Infográfico: Mobile apps em alta

Aplicativos para smartphones vivem sua era dourada.

Os smartphones estão vivendo uma época bastante agradável. Com seu mercado crescendo a taxas incríveis, é natural que os aplicativos de smartphones, ou os mais conhecidos apps, também apareçam pra valer. O infográfico abaixo, produzido pelo pessoal da Online Schools, demonstra muito bem essa trajetória:

A Apple lançou sua App Store em 10 de Julho de 2010. De lá pra cá, mais de 225mil aplicativos para smartphones, ipods touch e ipads foram criados. A Google aparece logo em segundo em número de apps, com 70 mil apps criados para sistema Android. A Microsoft, além de ser a mais nova no ramo é também a última em quantidade de apps: apenas 1.083 apps.

Estima-se que mais de 4 bilhões de downloads tenham sido feitos somente na App Store. Embora a Apple domine o mercado de apps, é a Nokia que detém o maior mercado de sistemas operacionais para smartphones. No primeiro trimestre de 2010, 44,3% dos smartphones vendidos tinha o sistema operacional symbian.

A média de preço de um app é de apenas US$3,10. Para um game, a média de preço é ainda mais barata: US$1,36.

Vejam mais informações no infográfico abaixo. Cliquem na imagem para visualizar melhor.

Siga-me no twitter! Clique aqui.

Infográfico: Os apps e as stores - vendas em alta!


Mais que vírus: Malware!

Aprenda a diferença entre vírus, worm, cavalo de tróia, spyware, spam, phishing scam e outros perigos da internet.

Vírus.Quem é que nunca ouviu falar neles? O problema é que muitas vezes, aquele problema que o computador estava enfrentando, não era um vírus. Existem vários softwares que podem danificar seu computador e cada um deles têm suas características próprias e agem de forma diferente. A esses softwares maliciosos nós damos o nome de malwares.

Os malwares são, basicamente, qualquer programa malicioso que, com a permissão ou não do usuário, invadem o sistema e causam algum dano à máquina ou ao usuário. Os danos à máquina podem fazer o computador agir de forma estranha, mais lenta, ou até mesmo apagar arquivos e dados importantes. Por outro lado, os malwares podem ser prejudiciais ao próprio usuário também, quando algum malware rouba informações do usuário, como a conta de um banco ou senhas importantes.

Vírus de computador
O tipo mais comum de malware é, aí sim, o vírus. Os vírus de computador são a categoria mais famosa de malwares, por terem se popularizado logo nas primeiras décadas do boom da informática. Eles são um programa de computador que, tal como um vírus da gripe, infectam o computador e criam variantes de si próprio e tentam, assim, infectar outras máquinas. O vírus pode ser executado a partir de si próprio ou se “hospedar” a algum programa: ou seja, ao usuário executar algum software, automaticamente, executa-se também o vírus.

Os primeiros vírus se popularizaram através de sua execução em disquetes infectados. Com o passar dos anos e com o boom da internet, os vírus invadiram a web e passaram a se transmitir por contas de e-mail, gerando muitas vezes Spam (Mais à frente trataremos sobre os spams). Na última década, a forma mais comum de proliferação foi através dos pen-drives.

Uma forma mais avançada de vírus é o worm. O worm, tal qual o vírus de computador, é um programa que se propaga automaticamente, criando variantes de si próprio. Diferentemente do vírus, o worm não necessita da execução de um programa hospedeiro para entrar em cena. Ele explora vulnerabilidades do sistema para atacar o computador. Muitas vezes o worm tem uma função específica, como abrir portas para outros worms e vírus ou deletar algum arquivo do sistema.

Além do vírus e do worm, outras formas conhecidas de malware são o Cavalo de Tróia e o Spyware. O Cavalo de Tróia, também conhecido como Trojan, é um programa que depende da execução do usuário e seve, principalmente, para abrir portas no computador para a invasão de outros malwares. Como o próprio nome diz, o malware aparece na internet muitas vezes disfarçado como um software legítimo, induzindo o usuário a executar o arquivo. Diferentemente dos vírus, eles não criam réplicas de si mesmos.

Não se engane com presentes na web!

Já o Spyware é um programa espião, que copia e envia suas informações para crackers. Os spywares não são exatamente prejudiciais ao computador da vítima, mas podem revelar informações importantes sobre o usuário, como endereço de onde mora, seu histórico da internet e outros dados relevantes no computador. Outro malware espião bastante conhecido é o keylogger. Sua principal função é armazenar todas as teclas digitadas pelo usuário. Embora possa ser instalado conscientemente (muitos pais instalam keyloggers em seus computadores para monitorar os filhos), o keylogger funciona como um malware quando sua instalação é escondida e os dados armazenados são enviados externamente para terceiros. Por isso, muitos bancos não permitem que o usuário digite a senha no momento do login, criando um teclado virtual para acesso.

O Spam: propaganda indesejável e phishing

O spam é, da forma mais abrangente possível, qualquer mensagem indesejável recebida. Na maioria das vezes, o que torna a natureza do spam realmente irritante, é que, além de indesejável, a mensagem é re-enviada várias vezes à caixa de mensagens do destinatário. O termo spam surgiu então de uma referência à uma propaganda do grupo de humor inglês Monty Python, onde vários vinkings aparecem gritando a palavra “spam” incessantemente, como vocês podem ver abaixo:

Os spams ocorrem, geralmente, nos e-mails, quando são recebidas mensagens publicitárias ou enganosas na caixa de entrada. Essa prática se tornou bastante comum no final da década de 90 e no início do século XXI quando, apesar de mal visto, o spam não era proibido. Após a regulamentação sobre a prática de envio de mensagens publicitárias, todas os e-mails publicitários devem conter uma opção do tipo “não desejo receber mais mensagens”, de forma que o usuário não seja mais importunado pela empresa.

Embora a maioria dos spams seja de propaganda publicitária, existem vários outros tipos de spam, que criam lendas urbanas sobre um determinado assunto, ou fazem uma espécie de corrente, pedindo que o destinatário re-envie a mensagens aos seus contatos. Muitos spams contem links para downloads de vírus e trojans e, não raro, boa parte dos spams tenta fazer um ataque phishing Scam.

O Phishing Scam é uma modalidade de cibercrime caracterizada por criar uma fraude eletrônica. São mensagens e/ou sites da web que fingem ser uma instituição (fictícia ou não) de forma a roubar dados importantes dos usuários. Geralmente são mensagens de bancos e instituições financeiras, pedindo que o cliente faça uma atualização importante, ou que responda o e-mail com a sua senha do banco, gerando assim uma informação falsa para roubar os dados do usuário.

Embora o Spam e o phishing scam ocorram geralmente nos emails, a digitalização e evolução dos novos meios permitiram que essas práticas maliciosas atingissem os serviços de SMS, de telefonia, mensagens instantâneas e até mesmo as redes sociais.

Portanto, é importante ficar de olho nas atualizações do sistema operacional e se manter informado sobre novas ameaças e perigos na internet. Geralmente, quando maior o grau de instrução do usuário na internet, menos a possibilidade de que algum malware ou spam venha a prejudicar a navegação. Espero ter esclarecido algumas questões acerca dos malwares e phishing scams, mas, qualquer dúvida, deixa um comentário ou entra em contato comigo. Abraço!


Dia do Amigo, das Conexões e do Capital Social

Seus amigos e conexões podem valer uma fortuna!

Dia 20 de Julho é, oficialmente, o dia Internacional do Amigo. Mas, desde a última década, esse termo vem se modificando. Antigamente, você só tinha seus amigos da rua e os do colégio. Ah, e caso você se mudasse ou trocasse de colégio, bye, bye amigos! Mas hoje, não. Graças às mídias sociais, não somente é fácil manter seus amigos, como também é mais fácil fazê-los e encontrá-los.

Num mundo onde todos podem se encontrar e trabalhar colaborativamente de acordo com seus interesses, o próprio ser humano passou a se tornar um produto. Hoje nós estamos começando a celebrar a economia das qualidades humanas, já proferida por Pierre Lévy. Seus amigos valem ouro, literalmente.

Quem é que nunca conseguiu aquele emprego/estágio por causa da indicação de um amigo? Quem é que não conheceu aquela pessoa famosa em sua sociedade porque o tio do amigo da namorada do seu primo o apresentou? Fazer conexões, alimentar sua rede social e explorar as possibilidades disso fazem das amizades uma qualidade tão importante quanto a própria inteligência.

Os coffee breaks dos eventos e cursos de curta duração estão sendo sumariamente substituídos pelos Networking breaks. Estamos vivendo uma verdadeira cultura de amigos, conhecidos e contatos profissionais.

Tão importante quanto o número de amigos é, por outro lado, a qualidade desses seus amigos. Daí surge outro bom termo que vem ganhando força graças à internet: o Capital Social. O ciberespaço desenvolveu uma forma de pontuar as personalidades da web de acordo com os seus feitos para a comunidade (Talvez você conheça termos como whuffie, karma, ou ainda como mérito). Quanto mais ativo o usuário, quanto mais contribuições, quanto maior os benefícios que trouxer para a comunidade, maior seu capital social.

Capital Social não é, portanto, dinheiro (não diretamente, pelo menos). Mas uma espécie de reconhecimento do usuário pelas suas contribuições em uma determinada comunidade. Uma vez que ele é ativo e contribui de forma construtiva, sua popularidade irá aumentar. E o que essa pessoa pode fazer com seu Capital Social? Aí é que vem a parte mais interessante: uma vez que a pessoa contribui para a comunidade, ela se torna popular. Uma vez que a pessoa se torna popular, ela será chamada para eventos, para parcerias, palestras, cursos, livros, etc. Capital Social, Conhecimento e Popularidade são três variantes que andam sempre em conjunto. Reconhecimento é a máxima aqui.

Lógico que tudo isso não vai acontecer do dia para a noite. Lembra de um dos sistemas de pontuação do capital social na web? Mérito. O internauta precisa realmente se dedicar e construir, em troca de (diretamente) nada. O usuário deve se imaginar como uma personalidade pública: o que acontece quando tal ator deixa de fazer filmes e novelas? Cai no esquecimento. Todos nós somos pessoas públicas na web 2.0 e temos nosso próprio capital social. Tudo depende do que você quer fazer com ele. Ah, Feliz dia do amigo, a propósito!


20 extensões que não podem faltar no seu Google Chrome

Olhando o Blog da google, viu que eles fizeram uma compilação das 19 melhores extensões do Chrome para a equipe deles. Como eu não gosto desse número, resolvi adicionar mais uma extensão que eu gosto muito para fechar em 20. Outras extensões podem ser baixadas em chrome.google.com/extensions. Bem, vamos à lista!

  • Opinion Cloud: Resume os comentários do Youtube e do Flick para fazer um demonstrativo de tendências.
  • Google Voice: Vários tipos de opções de voz para o seu navegador. Vê quantas mensagens você tem, chamadas e faz ligação ao clicar em números em sites
  • AutoPager. Automaticamente carrega a próxima página do site. Muito bom para leitura de blogs.
  • Turn Off the Lights:Concentra a luz do monitor para assistir vídeos com uma qualidade melhor .
  • Google Dictionary: Ao duplo-clicar uma palavra, vê a definição dela no dicionário.
  • After the Deadline: Verificador ortográfico.
  • Invisible Hand: Faz uma verificação rápida sobre os preços do produto em questão em vários sites da web.
  • Secbrowsing: Verifica se seus plugins estão atualizados.
  • Tineye: Buscador de imagens que admite pesquisas com propriedades das imagens.
  • Slideshow: Transforma sites de fotos em apresentações de slides!
  • Google Docs/PDF Viewer: Automaticamente pré-visualiza documentos na web suportados pelo google docs + PDF.
  • Readability:Reformata os textos para uma única coluna .
  • Chromed Bird: Use o twitter direto do seu navegador.
  • Feedsquares: veja seus feeeds através do Google Reader.
  • ScribeFire: Edite seus posts no blog com essa ferramenta poderosa.
  • Note Anywhere: Faça anotações diretamente da web e acesso em qualquer lugar do mundo.
  • Instant Messaging Notifier: Use vários serviços de mensagens instantâneas numa única extensão.
  • Remember the Milk: Gerêncie suas atividades com esse calendário.
  • Extension.fm: Toque música diretamente da internet.
  • Wikipedia Companion: Faça pesquisas na wikipedia rapidamente.


Existe vida (virtual) após a morte

O caso do goleiro Bruno é, além de uma grande novela, um caso intrigante para nós, comunicadores digitais. Sua ex-namorada (ou amante) foi morta brutalmente. Sim, até aí você pode está se perguntando o que isso tem a ver com o título do post ou com comunicação digital. O que chamou minha atenção foi que, nessa semana, suas mensagens de MSN foram publicadas na televisão. Suas mensagens ajudaram a determinar seu padrão de vida e estão ajudando na investigação policial. Ela não estava morta – pelo menos não virtualmente.

O século XXI deixa para nós a possibilidade de nos eternizarmos através dos meios digitais virtuais. Se, no passado, um homem só se tornava imortal se tivesse uma ideia memorável, hoje qualquer coisa pode ser imortalizada por um click. Hoje existem várias comunidades de necrófilos no Orkut e em outras redes sociais, eternizando pessoas comuns.

Sim, isso pode ser muito útil, ajuda a preservar suas informações e pensamentos. Mas acho também que as redes sociais deveriam ter uma opção: em caso de morte, por favor, apague o meu perfil (menos no facebook, ora! Pois ao assinar aquele termo do capeta, suas informações são deles até depois da sua morte, então nem adianta).

Enquanto esta opção não surge, deixarei no meu testamente minhas senhas e logins em todas as mídias sociais para que me apaguem para sempre. Não quero que me deixem mensagens do tipo “Vai lá cara” ou então “Você foi um amigo da poxa”. Por outro lado, existem pessoas que ficariam realmente felizes em morrer e deixar seu perfil aberto. “É uma espécie de mausoléu”, diria uma jovem usuária do Orkut. Pra mim não, pois eu não quero nem um caixão! Que me cremem e joguem as cinzas no mar. E que faça o mesmo com meu facebook, por favor.


15 coisas que você não sabia sobre o Steve Jobs

O pessoal da Online Schools criou este infográfico genial sobre os fatos menos conhecidos sobre o Steve Jobs. Leiam e se divirtam (click na imagem para ampliá-la).


As Preocupações e os Interesses da Geração Y

Este post é uma continuação do artigo “Os novos meios de comunicação Vs. A geração Y“, encerrando, assim, o ciclo de artigos sobre a Geração Y.

Conforme a geração Y foi atingindo a fase adulta, os interesses e preocupações da população brasileira se modificaram. Aqui podemos ver a conclusão de algumas das características dessa geração que está tomando o controle do país agora (Fonte: www.todospelaeducacao.org.br/Comunicacao.aspx?action=2&aID=419):

Percebemos que existe um grande aumento no que se diz em relação às preocupações com saúde. Esse aumento pode-se estar relacionado a dois fatores: ao aumento de certo egocentrismo, uma preocupação mais com o corpo que com a saúde propriamente dita, característica dessa geração com fortes traços pós-modernos ou; à gripe suína, que aterrorizou todo o globo no último ano, seguida de uma forte campanha de vacinação que durou meses afim.

A segurança pública vem logo em seguida entre as maiores preocupações da população brasileira. A violência urbana vem aumentando no mesmo ritmo. Condomínios residenciais e comerciais estão se convergindo, criando micro cidades, muito mais seguras que a dura realidade externa.

Observamos também que a preocupação com relação ao emprego diminui, outro reflexo da geração Y. A preocupação pela educação básica aumenta, juntamente com a preocupação pelas drogas. Percebemos que, com a economia cada vez mais estabilizada, pelo crescimento do PIB brasileiro e pela excitação das multinacionais com o brasil, a preocupação com a fome e a miséria diminui. Os programas assistencialistas brasileiros também auxiliam a reduzir a preocupação com a miséria (deve-se levar em consideração que o analfabetismo, a mortalidade infantil e a extrema pobreza no Brasil diminuíram vertiginosamente).

A preocupação com os salários aumentou. Ora, a geração Y é a geração que mais busca altos salários e bons empregos. Deve-se lembrar que, além de filhos da democracia, são filhos do neoliberalismo também, das políticas agressivas de mercado e da metamorfose da economia. Um dado interessante é que a preocupação com a corrupção caiu bastante nos últimos anos. Três alternativas são plausíveis: primeira, o problema se tornou comum e a população desistiu de se preocupar; segunda, a corrupção diminui ou; terceira, a nova geração está participando da corrupção. É lógico que um misto das três alternativas também é possível.

De qualquer modo, é importante levar-se em consideração que essas preocupações foram analisadas em anos de eleição. Sabe-se que durante o período de eleições, muitos meios de comunicação de massas tendem a levar à tona temas que lhes sejam favoráveis nas eleições. Mas com o embotamento dos meios de comunicação de massas, perde-se o benchmark para avaliar as preocupações brasileiras. Embora seja bem provável que os dados acima apresentados representem a real preocupação dos brasileiros, é inegável que a força das grandes mídias tenha influenciado muito mais os resultados de 2006 que os de 2010. Trocando em miúdos: as preocupações apresentadas em 2010 são muito mais próximas da realidade que às de 2006, entretanto ainda apresentam desvios momentâneos, uma vez que, no Brasil, assim como na maioria das regiões do mundo, são os meios de comunicação de massas que ainda agendam os assuntos que tratamos nos corredores do trabalho e permeiam nossas discussões e conversas diárias.

PREVISÕES E POSSIBILIDADES: O QUE ESPERAR DO BRASIL NA PRÓXIMA DÉCADA?

O principal motivo das preocupações de 2010 representarem mais fielmente a realidade que as preocupações de 2006 é que os meios de comunicação de massas estão influenciando cada vez menos na nossa agenda, nos nossos pensamentos diários. Sim, os meios de comunicação de massas ainda são responsáveis pela maior parte de nossa agenda, mas isso está se reduzindo.

Podemos esperar uma influência cada vez mais de nicho, isto é, restrito aos grupos sociais em que o indivíduo vive. Dessa mesma forma, os amigos serão mais responsáveis pelo pensamento da comunidade em geral. Esta comunidade se dissolverá em várias outras menores que não sofrerão impacto dos meios de comunicação de massas. Se a internet é a mídia do futuro, as redes de relacionamento serão a principal porta de entrada para a inclusão digital. Se os números de usuários de internet no Brasil continuar a subir no mesmo ritmo, até o final da década de 10, aproximadamente 79% da população brasileira tenha acesso à internet (número ligeiramente maior ao dos Estados Unidos atualmente).

Por final, a geração Y será substituída pela geração Z, esta sim, uma geração nascida no berço tecnológico. É uma geração em que o contato com a tecnologia começa não na adolescência, mas sim na infância. É necessário imaginar os efeitos e conseqüências desses acesso quase precoce, que está sendo criada pela geração atual, a geração Y.


Os novos meios de comunicação Vs. A geração Y

Continuação do artigo “A geração Y brasileira“.

Já compreendemos que a nova geração brasileira não nasceu na mesma época do boom da internet. O crescimento da internet brasileira só foi ocorrer nos anos 2000, ou seja, durante a adolescência da geração Y brasileira. A infância de praticamente todos os brasileiros foi controlada pela televisão onde, mesmo as classes mais altas, ainda assistiam uma grande quantidade de programação da televisão aberta. Entretanto, com o surgimento da internet, essa realidade começou a se despedaçar. A integridade da comunicação de massas, que mantinha firme os elos culturais populares entre as classes altas e baixas se desfez. Pode-se dizer que o boom da internet no Brasil coincidiu com o aparecimento da chamada web 2.0.

É certo afimar que a internet se propagou no Brasil especialmente nos anos 2000. Mas, como vimos no último gráfico, ainda no ano de 2002, a internet seria um privilégio das classes mais elevadas, tornando-se acessível às classes C, D e E apenas nos últimos anos. Em fato, foi apenas no ano de 2007 em que o mercado brasileiro registrou, pela primeira vez na história, um número de vendas de computadores superior ao de televisores. (http://www.midiadigital.com.br/blog/category/etc/). A realidade dos celulares, entretanto, é menos cruel. Em 2003, o número de celulares ultrapassou o número de fixos, garantindo uma comunicação cada vez mais pessoal (http://www.teleco.com.br/comentario/com01.asp).

Então temos que: Em 2003, o número de celulares ultrapassou o número de fixo; em 2007, o número de computadores ultrapassou o número de televisores e que, segundo previsões, em 2010, 50% dos brasileiros terão acesso à internet. Todas as modificações estão ocorrendo nos anos 2000, não nos anos 90. Sim, todas essas tecnologias apareceram na década de 90, mas só se tornaram populares, a ponto de modificar nossas agendas, nos anos 2000.

Como dito anteriormente, o boom da internet brasileira ocorreu no mesmo momento em que a web 2.0 surgiu. A primeira pessoa a utilizar esse termo foi Tim O’Reilly, em sua célebre frase “Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva”. É nesse cenário que surgem as chamadas mídias sociais online: um conjunto de sites cujo conteúdo é gerado pelos próprios usuários que, ao se relacionarem, ampliam as possibilidades e conexões entre os sites existentes. Com efeito, esses sites agem como plataformas, isto é, locais onde o conteúdo pode ser desenvolvido. A principal questão dos sites 2.0 é criar um ambiente onde os usuários possam criar seu próprio conteúdo. Exemplos disso são os blogs, as redes de relacionamento, repositórios de vídeos, etc.

Ainda em 2004, o Orkut é criado. É correto afirmar que o Orkut decolou no Brasil antes mesmo das redes sociais decolarem no mundo. Podemos atribuir isso a dois motivos: primeiro, pelo fato da maioria dos brasileiros estarem entrando tardiamente na internet, seus paradigmas quando à rede de computadores não existiam, facilitando o acesso a sites e portais desconhecidos até então; segundo, o Brasil é um país extremamente sociável, hospitaleiro e extrovertido, fatores que influenciam diretamente as redes de relacionamento.

Ranking de usuários por países (fonte: Alexa -  www.alexa.com. Página visitada em 12 de Maio de 2010)
Demografia do Orkut em 13 de abril de 2010
Brasil 48,0%
Índia 39,2%
Estados Unidos 2,2%
Japão 2,1%
Paquistão 1,0%
Outros 5,3%

Com isso, as amizades não são mais limitadas pelas fronteiras geográficas. A geração Y achou, nas redes sociais, amigos que tinham perdido durante a infância (independentemente do motivo). Quando alguém da geração anterior se mudava, perdia seus amigos da rua. Quando trocava de colégio, esquecia dos colegas de sala. A geração Y achou um modo de acabar com isso: celulares e mídias sociais. A distância já não é mais um problema. Comunidades do tipo “Reencontrei velhos amigos” somam hoje mais de 40 mil membros. A nova geração não “viveu” conectada, mas aprendeu como se conectar.

Evolução da Internet no Brasil (fonte: www.worldinternetstats.com)
Ano População Usuários % Pop. Usuários. Fonte
2005 184,284,898 25,900,000 14.1 % C. I. Almanac
2006 186,771,161 32,130,000 17.2 % I. T. U.
2007 186,771,161 42,600,000 22.8 % I. T. U.
2008 196,342,587 67,510,400 34.4 % I. T. U.
2009 198,739,269 72,027,700 36.2 % I. T. U.

No mesmo ano de 2007, em que o número de computadores superou em vendas o número de televisores, observamos que houve um aumento em quase quatorze pontos percentuais no número de pessoas acessando internet no Brasil. Foi por essa época que as classes C e D começaram a superar em acessos as classes A e B, caracterizando a adolescência da geração Y brasileira. Entretanto, deve-se observar que boa parte das pessoas que utilizam internet no Brasil ainda o faz com conexão discada, além do grupo que acessa internet fora de casa, ou seja, nas escolas, no trabalho ou nas lan-houses.


A geração Y brasileira

Continuação do artigo Filhos da Democracia

Compreendido que existe uma mudança no perfil do adulto brasileiro, parte estimulada pelas mudanças presentes na geração Y, parte modificada pela fomentação da democracia brasileira, esse novo adulto tem pensamentos e ideias diferentes da geração passada.

Enquanto a geração passada fora educada pela Televisão e pelos meios de comunicação de massas, a geração atual sofreu os primeiros impactos da internet. Enquanto web 1.0, poucas mudanças foram efetivamente colocadas, especialmente porque, na década de 90, a internet ainda era uma media elitista: os computadores eram caros, praticamente não existia banda larga e cursos de informática estavam apenas deslanchando.

Deve-se levar atentar também para outro fato brasileiro: a popularização do telefones. Com a privatização das companhias de telefone, houve um boom generalizado de linhas telefônicas. Os preços de instalação de linhas telefônicas que hoje podem ser traduzidas a milhares de reais, caíram vertiginosamente até chegar a algumas dezenas. Outro fato especialmente importante para criação de novos ideias foi a possibilidade de ter um canal de comunicação exclusivo 24 horas por dia: o celular. Hoje existem mais celulares que pessoas no mundo, mas na década de 90 a situação não era exatamente assim. Os telefones começaram a deslanchar no início da década de 90 e só foram se firmar ao final dela (embora nunca tenham atingido o sucesso que o celular conseguiu). Da mesma forma, os celulares começaram a engatinhar no final da década de 90, e só conseguiram se firmar no século XXI.

Então temos que as novas mentes brasileiras, aqueles que hoje estão na faixa dos 16 aos 30 anos, são formadas por contradições, parte pela escassez, na década de 90, parte pela abundância, do século XXI.

Se as preocupações de seus pais, aqueles conhecidos também pela geração X, remetiam à ditadura, à mortalidade infantil, à educação brasileira, hoje muitos desses problemas foram sanados (ou se tornaram tão comuns ao ponto de serem esquecidos). Cabe lembrar, entretanto, que, se formos tomar por padrão o período de nascimento da geração Y norte-americana, veremos que ela não coincide com a brasileira, por diversos aspectos. Enquanto o período dos nascimentos da geração Y nos Estados Unidos compreende da década de 80 até o início da década de 90, no Brasil, podemos afirmar que essa geração começou pelo menos 5 anos depois, mesmo assim conservando as características intrínsecas já citadas. Ainda hoje, a falta de computadores e de internet no Brasil pode ser observada, de acordo com os dados a seguir, retirados Internet World Stats:

Estatíticas da penetração da internet nos continentes

A porcentagem da população da América Latina que usa internet ainda é muito inferior quando comparada às outras regiões do globo. Entretanto, no final do século XX, essa diferença era ainda mais gritante:

País Ano População Usuários % Pop. Usuários. Fonte de Pesquisa
E.U.A. 2000 281.421.906 124,000,000 44.1 % ITU
E.U.A. 2009 307.212.123 227,719,000 74.1 % Nielsen Online
Brasil 2000 169.544.443 5,000,000 2.9 % ITU
Brasil 2009 198.739.269 72,027,700 36.2 % ITU

O Brasil no ano de 2009 tinha menos usuário de internet que os Estados Unidos no ano 2000. No ano 2000, menos de 3% da população brasileira acessava a internet, mesmo assim, com dados do Ibope, em 2002 a maioria absoluta dos que acessavam a internet no Brasil eram das classes A e B. O gráfico a seguir, do livro “Webdesign: teoria e prática” de Anielle Damasceno, extrai dados do IBOPE para mostrar a realidade brasileira no início do século XXI:

Internet no brasil em 2002

Com isso, podemos tirar uma de duas conclusões: primeira, que a geração Y no Brasil não compreende ao mesmo período norte-americano ou; segunda, que o termo geração Y não existe no Brasil. Para não entrar em maiores contradições, vamos assumir que geração Y brasileira surgiu no período que se compreende do final da década de 80 para o início da década de 90. Mas, para evitarmos erros de nomenclatura, chamemos a geração Y brasileira de os “filhos da democracia”, uma vez que todos os nascidos nessa época já estavam sub o regime democrático brasileiro.

Definido o padrão brasileira, vamos contrapor as características colocadas nessa geração, em dois pontos de vista, usando a nomenclatura de Umberto Eco: um otimista, de forma integrada e outro pessimista, de forma apocalíptica. Sendo assim, quatro perfis são encontrados nessa nova geração, assim classificados do ponto de vista otimista:

Os engajados: focam na vida profissional e aceitam as condições do mercado de trabalho. Os preocupados: têm ambições mais modestas que os anteriores, mas também estão totalmente voltados para suas carreiras. Os céticos: acreditam que a competição do mercado é exagerada e nociva, por isso preferem carreiras acadêmicas ou públicas. Os desapegados: dão mais importância à convivência familiar que à carreira profissional, buscam lugar nas empresas públicas. (http://blogs.estadao.com.br/link/inquietos-e-ambiciosos/comment-page-1/#comment-20850)

Do ponto de vista pessimista, estão classificados em equivalência, respectivamente, da seguinte forma:

Os Alienados: só pensam no sucesso financeiro de suas carreiras. Os inseguros: querem pensar só na carreira, mas não são tão alienados. Os realistas: sabem que o mercado é um lugar dos espertos e malandros. Os responsáveis: sabem que a família é a razão para o trabalho. (Lindorf Carrijo)

De qualquer forma, todas essas características estão presentes nos adultos de hoje, uma geração dominada por incertezas quanto ao significado da vida, dividindo a população entre aqueles que querem dar um sentido à vida e àqueles que se aproveitam da ausência de propósito da vida.

Quais as preocupações dessa geração? Qual a agenda da nossa sociedade atual? Como os novos meios de comunicação estão alterando essa agenda? Que conclusões podem-se tirar dos dados levantados? O que o futuro nos reserva? O que é a geração Z?


Page 38 of 39« First...1020303536373839