Thiago Leite

É gestor e consultor de marketing digital pela LikeMe.dia. Acredita no empreendedorismo como meio de realização pessoal e profissional. @thiagovnc



Prosumers: Quando os consumidores interferem no processo produtivo

Neste último final de semana ocorreu aqui em Recife mais um curso da TrêsPontos, nossos parceiros no Web Diálogos. O tema da vez foi “Criação para Mídias Digitais”, com o Adelino Mont’alverne. Não é de hoje que digo que sou fã do trabalho da TrêsPontos, mas esse curso especificamente teve um impacto instantâneo nas minhas atividades.

Enquanto discutíamos cases diversos ligados a crowdfunding, crowdsourcing, mashups, ARGs e outros métodos, eu estava compartilhando ao máximo via facebook e twitter, como já é de praxe. Em certo momento do curso, fui procurado pelo meu professor da disciplina de Marketing de Serviços, Roberto Guerra, solicitando que eu trouxesse um dos vídeos que compartilhei online para que ele apresentasse na aula do dia 24/10, sobre Prosumers.

Eu já havia lido sobre o tema superficialmente, mas o interesse do professor no meu compartilhamento me fez querer dar um passo além: Preparar uma aula colaborativa apresentando o conceito de prosumer e exemplos de ações bem-sucedidas que utilizaram-se da intervenção direta do consumidor no processo produtivo. Ou seja, a ideia era que eu mesmo atuasse como prosumer da aula. Para isso, estudei o artigo “Tendências sobre as comunidades virtuais da perspectiva dos Prosumers“, mergulhei nos casos apresentados no curso da TrêsPontos e elaborei a apresentação que vocês podem ver abaixo. Espero que gostem!


Seria o BeKnown mais que um clone?

E eis que surge o BeKnown, criado pela Monster, maior empresa de oferta de empregos online do mundo. Estamos falando do mais recente competidor na arena das mídias sociais para profissionais. Arena atualmente dominada pelo LinkedIn e cujo mais recente entrante a causar algum impacto foi o BranchOut, já explicado em posts anteriores aqui no blog.

Assim como o BranchOut, o BeKnown se trata de um aplicativo para Facebook que facilita a construção da sua rede profissional a partir da rede pessoal. Mas as similaridades não param por aí. Entrei no BeKnown poucos dias depois do seu lançamento e fiquei impressionado com a semelhança entre as interfaces. Os menus na barra superior são idênticos, mudando apenas a ordem e um ou outro detalhe mínimo, tenho até dificuldade de identifica-los não fossem pelas cores e logos diferentes. Não é semelhança, é cópia mesmo. O BranchOut também faz maior uso de símbolos, enquanto que o BeKnown se assemelha mais ao LinkedIn nesse sentido, com textos por todo lado.

Lembram do sistema de Badges of Honor e ribbons do BranchOut? O BeKnown também aderiu à onda. No caso do aplicativo da Monster, o sistema parece bem menos elaborado, algo feito nas coxas para atender a uma tendência de mercado. Temos apenas Badges e nada mais. São 15 badges ao todo e funcionam da mesma forma que as ribbons do BranchOut e as badges do Foursquare, ou seja, são obtidas a partir de ações do próprio usuário dentro da rede.

Ok, talvez eu esteja sendo um pouco rígido, o BeKnown não é apenas uma cópia e tem sim seus pontos positivos. O primeiro deles é o fato de você poder importar todos os dados do seu perfil do Monster.com, muito útil para os milhões de cadastrados especialmente agora que o LinkedIn bloqueou o acesso do BranchOut e BeKnown aos seus dados.

Outro aspecto que gostei é o fato de poder exibir suas informações para contato na barra lateral do perfil. Algo que, estranhamente, não foi pensado no BranchOut. Ok, você pode enviar uma mensagem direta, mas e se eu quiser outros dados como endereço de e-mail, IM ou twitter? O perfil é mais completo também, com informações como premiações e reconhecimentos (Awards), interesses e informações para contato, como dito acima. Se você não importar informações do Monster.com, o aplicativo fará uso de informações do seu perfil no Facebook automaticamente. Considerando que o Facebook possui campos para educação e histórico profissional, até faz sentido.

Assim como acontece no BranchOut, todas as informações são editáveis sem alterar o seu perfil pessoal. Sugiro que faça isso para o campo de interesses (interests), pois o BeKnown importa seus principais interesses do Facebook como se fossem interesses profissionais também. Eu não estou interessado em Batman como profissão (ainda).

Ah! Você também pode definir quem tem acesso a suas informações de perfil e quais informações, selecionando entre contatos de primeiro grau, segundo grau ou todos, para cada campo. No BranchOut esta seleção é válida para todo o perfil apenas. Um pequeno detalhe ao qual sou indiferente nesse caso.

O aspecto que realmente deixou a desejar e que pode comprometer o sucesso da rede, ao meu ver, foi o sistema de anúncio de emprego. Além de ser extremamente simplificado, composto por título da vaga, empresa, zip code (CEP dos EUA) e descrição, não encontrei nenhuma forma de anunciar a vaga para todo o BeKnown. Sei que é possível, mas não está claro em momento algum como isso funciona. Para encontrar vagas anunciadas pelos seus amigos o processo é um pouco menos intuitivo que no BranchOut também. Para uma empresa especializada em oferta de empregos, eu esperava mais.

Mas o pior de tudo isso é a questão do zip code como requisito para listar uma vaga. Até o momento é impossível anunciar uma vaga no Brasil sem burlar o sistema colocando um zip code falso, correspondente aos EUA, e detalhando na descrição qual o local da vaga. Uma vez que a Monster possui filial no Brasil, suponho que seja uma questão de tempo. Mesmo assim, não deixa de ser uma restrição esquisita e potencial barreira para a adoção da rede por parte dos recrutadores, headhunters e interessados em novas oportunidades fora dos EUA.

Apesar de todos os problemas e do estigma de se posicionar como cópia de outra rede similar, o BeKnown conta com alguns traços positivos que o distinguem dos rivais. Eu acredito que sua associação com a Monster pode acelerar sua adoção de forma muito mais rápida que os atuais concorrentes. E você, o que acha?


BranchOut e BeKnown – A gamificação das relações profissionais

Muito tem se falado sobre gamificação, ou seja, o ato de incorporar mecânicas de jogos a aplicativos que não são orientados para este fim. Eu adoro games, mas embora acredite na gamificação como o próximo avanço das técnicas de marketing eu tenho que levantar um questionamento sobre esta prática no networking profissional.

Um dos maiores debates entre os usuários do LinkedIn é o de quantidade x qualidade das conexões. Diferentemente de outras redes sociais, onde nosso critério para definir contatos como “amigos” é bastante flexível – afinal, não importa o que o Facebook diga, eu não tenho 523 amigos – no LinkedIn é recomendado ser um pouco mais restrito. É a sua carreira profissional que está sendo exibida ali e de forma geral supõe-se que toda a sua lista de conexões pode se traduzir em negócios de alguma natureza.

Ao meu ver, a gamificação pode botar a perder este processo, banalizando a ideia de contatos profissionais para adquirir mais ribbons e/ou badges, mecânicas incorporadas tanto pelo BeKnown quanto pelo BranchOut. O próprio BranchOut parece incentivar isso ao disponibilizar um ranking no menu Most Connected Friends, que exibe quais dos seus amigos tem maior número de conexões em diversas categorias, “premiando” aqueles que banalizarem suas relações aumentando sua visibilidade na rede. Bizarro?

Claro, a ideia não é de todo ruim. Temos nas badges a chance de certificar nossa visão sobre o trabalho de uma pessoa com quem não necessariamente fizemos negócio, o que nos impediria de escrever uma Recomendação detalhada no LinkedIn. Além de ser um testemunho mais visual e mais prático, dando margem a algumas possibilidades a serem exploradas pelas empresas em processos seletivos.

De toda forma, apesar das minhas ressalvas, não há evidências de más práticas utilizando o BranchOut ou o BeKnown e ainda é cedo para dizer como os usuários irão se comportar. O que vocês acham?


BranchOut – O que é e como funciona

Talvez você já tenha ouvido algo a respeito, ou talvez você tenha até recebido um convite para participar do rival do LinkedIn no Facebook. Mas afinal, o que é o BranchOut?

A ideia por trás do aplicativo é de poder usar sua rede de contatos do Facebook para acelerar o processo de networking profissional. A escolha deste formato foi não só por conta do número de usuários do Facebook como também o fato de que o LinkedIn tem uma adoção maior entre profissionais experientes (a média de idade dos usuários do LinkedIn é de 41 anos). Com a presença do BranchOut em uma rede mais jovem espera-se estimular a prática do networking profissional entre profissionais iniciantes, bem como ajudá-los a encontrar um lugar no mercado de trabalho através das mídias sociais.

Simplicidade parece ser um dos principais atributos do BranchOut, o perfil é bastante resumido sendo composto apenas por seis campos: Headline (seu título profissional), Summary (sumário, resumo da sua carreira e objetivos), Specialties (especialidades, principais habilidades relacionadas a sua atividade/área de interesse profissional), Work History (histórico profissional), Education (escolaridade) e Endorsements (endosso, recomendações de outros membros da sua rede sobre o seu trabalho). A foto é a mesma do perfil no Facebook, mas assim como todo o resto pode ser alterada sem afetar o perfil pessoal, o que é bem útil.

Um ponto forte da rede é a busca e anúncio de vagas de emprego. O sistema de busca permite que você visualize anúncios abertos para todo o BranchOut ou anúncios da sua rede (amigos e amigos de amigos). Estes últimos são como um “QI” (Quem Indica) turbinado, você já se apresenta à vaga como um membro da rede daquela pessoa e, portanto, possivelmente confiável. Vale lembrar que nem todos os seus amigos precisam ser convertidos em conexões profissionais no BranchOut, a lista do Facebook é mantida separadamente, aumentando a confiabilidade do processo.

O anúncio de vagas funciona em duas modalidades: Básica (gratuita, lista apenas para a sua rede) ou Premium (paga, lista para todo o BranchOut). O anúncio também pode ser postado na Fan Page da sua empresa, aumentando o alcance além do BranchOut. As opções de preenchimento do anúncio são bem completas. Estas duas funções tornam o aplicativo uma ferramenta muito útil para iniciar um processo seletivo.

O grande diferencial do BranchOut, porém, parece ser na gamificação, tendência cada vez mais presente no marketing e nas mídias sociais. Temos duas modalidades que envolvem aspectos de gamificação no aplicativo. A primeira delas são as ribbons (faixas) ilustrativas sobre o seu perfil indicando títulos como Super Connector para quem tem entre 20 mil e 40 mil pessoas na sua rede profissional (contando com os colegas dos colegas). Até agora só consegui ribbons relacionadas ao número de contatos na minha rede, mas suponho que existam outras.

A outra modalidade são as Badges of Honor (medalhas de honra). As badges servem para destacar alguma qualidade ou habilidade da pessoa fazendo uso de símbolos. São maneiras mais simples e visualmente atraentes de reconhecer o bom profissional. Além disso, se uma pessoa recebe várias vezes a mesma badge ela sobe de nível dentro daquela categoria. São 58 badges diferentes até o momento.

A diferença entre badges e ribbons está na forma como você as adquire. A obtenção das ribbons são influenciadas largamente pelas suas ações na rede, conforme citei meu exemplo acima. Já as badges dependem de um outro usuário em sua rede atribui-la a você através do mecanismo Send Badge, no menu Badges of Honor. Você pode até solicitar que alguém lhe dê uma badge específica através do Request Badge, mas jamais tem controle total sobre o processo. A exceção é a badge “Early Adopter” dada aos primeiros usuários da rede no momento que aceitaram o aplicativo (eu tenho!).

Por fim, o maior ponto fraco da rede, na minha opinião, é a falta de interação dentro da mesma. Rick Marini, CEO da empresa, afirma que o foco do BranchOut está nas relações sociais, mas fora as mensagens interpessoais não há formas de comunicação para a troca de informações ou contato com profissionais que não estejam presentes em sua rede. Não existem os Grupos, como no LinkedIn, e a carência de detalhes no perfil profissional torna a rede insuficiente como “substituta do currículo tradicional” que o LinkedIn vem se tornando ao longo dos anos.

Apesar de promissor, há muito que se fazer para superar o LinkedIn. A dispusta já começou. E você, já está no BranchOut? O que pensa a respeito?


LinkedIn, BranchOut, BeKnown? A ascensão das redes profissionais

Nos últimos tempos temos visto uma série de notícias relacionadas ao LinkedIn, a rede social de nicho focada em conectar profissionais para facilitar a troca de informações e as oportunidades. Vimos a sua abertura de capital em Maio colocar a empresa no mapa das bilionárias 8 anos após sua abertura e, mais recentemente, sua ascensão como o segundo site de rede social mais utilizado nos EUA.

A ideia de conectar profissionais online não é nova, nem partiu do LinkedIn. Apesar dos sites de recrutamento funcionarem majoritariamente como bancos de currículos, alguns já vinham experimentando com fóruns e comunidades profissionais. O Monster.com, por exemplo. Acontece que o LinkedIn otimizou essa fórmula adicionando o componente social não como um extra, mas como o principal motor da rede. Demorou até o negócio ser aderido em massa, afinal de contas 2003, ano do nascimento do LinkedIn, foi bem antes da revolução social que estamos vivendo. Mesmo assim, pelos resultados que a empresa vem acumulando, eu diria que valeu a pena esperar!

Mas obviamente que esse território não seria exclusivo por muito tempo. Tal qual ocorre com as redes sociais mais gerais, logo outras empresas se apresentam com suas próprias ideias de como essas relações profissionais podem ser otimizadas. Eis que entram no ringue o BranchOut e, mais recentemente, o BeKnown.

Ambos se tratam de aplicativos para o Facebook que assimilam os 750 milhões de usuários como potenciais membros da sua rede profissional. Além disso, os aplicativos incorporam elementos de gamificação nas atividades de networking profissional do usuário, como a atribuição de badges (medalhas) a medida que você se conecta a um maior número de profissionais, por exemplo. No entanto, apesar das similaridades, os dois apresentam alguns diferenciais entre si e com relação a seu competidor principal, o LinkedIn.

O BranchOut foi lançado em fevereiro desse ano, conta com mais ou menos 2,5 milhões de usuários mensais e um número crescente de usuários ativos diários (atualmente na faixa dos 150 mil). A companhia recebeu um aporte de 18 milhões de dólares em investimentos e já planeja uma versão em português devido à rápida adoção dos brasileiros segundo Rick Marini, presidente da empresa. Uma versão fora do Facebook está prevista para lançamento “em breve” também.

Já o BeKnown foi lançado no dia 27 de junho e em quatro dias já contava com uma taxa de 60 mil usuários ativos. O aplicativo é muito semelhante ao BranchOut no formato e nas funcionalidades. Eu diria que se trata de um irmão bastardo nesse caso. Porém, o que torna o BeKnown um concorrente de peso nessa briga é o fato de pertencer ao Monster.com, a maior empresa de oferta de empregos online do planeta. Isso permite que qualquer usuário do Monster integre seu currículo automaticamente ao perfil do BeKnown, uma vantagem inicial significativa se levarmos em consideração que o site recebe em torno de 38 milhões de visitantes únicos por mês.

Aliás, segue um fato curioso: a primeira empresa do Rick Marini, Tickle.com, foi comprada pela Monster há algum tempo. Foi então que ele a abandonou e criou o BranchOut. Seria revanche?


Chromebook, Facebook e a guerra pelos seus dados – Parte 2

Neste post pretendo me alongar sobre os atuais protagonistas dessa “batalha” pela informação do usuário, o Facebook e a Google. Para quem não lembra, em meu post anterior apresentei brevemente o Chromebook. Falei também sobre a importância das informações que disponibilizamos através da internet e como elas podem produzir vantagem competitiva para as empresas. Por fim, expliquei porque as mídias sociais estão valorizadas perante o mercado.

É por isso que a Google anda tão preocupada. Até então a combinação de buscador mais utilizado, serviço de e-mail eficiente com aproximadamente 200 milhões de usuários ativos e publicidade direcionada a partir da forma como o usuário interage com essas ferramentas vinha sendo uma receita vencedora.

A partir do momento que o Facebook ultrapassa a base de usuários ativos do Gmail e usurpa o título de “site mais visitado” que pertenceu ao Google durante tantos anos, fica visível que algo mudou na cultura dos usuários da web. A empresa do Mark Zuckerberg proporcionou um ambiente social aberto, diferente do e-mail, mas mais do que isso. O melhor de tudo é que as informações do seu interesse não precisam ser buscadas, elas vão até você por meio da fonte mais confiável: seus amigos. Essa, para mim, é a grande sacada. A grande sacada que aliás faltou ao Orkut e fez com que o serviço nunca decolasse no exterior, onde o Facebook assumiu a liderança desde o início.

Desde o final do ano passado, quando o Facebook superou o Google pela primeira vez em número de visitas/mês, temos assistido a diversas transformações na atuação da gigante do buscador mais popular do mundo. A citar algumas que me vêm à mente, tivemos recentemente a troca de CEOs (Eric Schmidt cedeu sua posição ao fundador Larry Page), os fortes rumores sobre a nova mídia social Emerald/Google Circles, incorporação de informações geradas pelas redes sociais do usuário aos resultados de busca (Google Social Search), o recém-anunciado +1 Button e, como o post anterior citou, o Chromebook.

O novo notebook pode representar a grande chance da Google conquistar em massa uma base de informações ainda não compartilhada nas mídias sociais: os seus arquivos. E o alvo parece muito claro quando olhamos para os preços: US$28/mês para empresas e US$20/mês para as escolas, com direito a atualização de hardware, suporte, garantia, etc. Para usuários domésticos a faixa de preço flutua entre US$349.00 a US$499.00, valor único e sem os benefícios do plano empresarial. Oferecendo facilidade de uso e preço atrativo resta saber como o mercado vai aderir à novidade.

Repito o que disse anteriormente, na web os seus dados não pertencem a você. Para os usuários do Chromebook, não existirão dados sem web. Então… Será? Quais as implicações disso no mundo corporativo? E para o usuário? Vale uma reflexão.


Chromebook, Facebook e a guerra pelos seus dados – Parte 1

Na semana passada a Google fez alguns anúncios relativos ao seu Chromebook, o primeiro notebook que virá equipado com o Chrome OS. O sistema operacional do Google é basicamente um browser e nada mais. A empresa espera suprir todas as necessidades do usuário através de aplicativos web, como o Google docs, armazenando os dados na nuvem para fácil acesso em qualquer lugar.

Entenda que na web os seus dados não pertencem a você, mas às diversas empresas que lhe oferecem serviços de e-mail, mídia social, messenger, hospedagem e o que mais você se utilizar enquanto estiver conectado. Ou seja, na internet não há nada mais importante do que os dados. São através deles que podemos traçar nossos perfis e nos identificar perante outras pessoas. É graças aos dados armazenados em nossas caixas de e-mail e nos cookies que as empresas podem direcionar seus anúncios da maneira mais precisa e mais interessante para eles para nós.

Sendo assim, se partirmos do princípio de que quem tem acesso aos dados melhor conhece o seu público, tarefas como o desenvolvimento de novos produtos e serviços tornam-se consideravelmente menos arriscadas a medida que estes dados são mais exatos e advém de uma amostra significativa dos consumidores. Em outras palavras, fica nítida a vantagem proporcionada a quem domina as informações do usuário.

E é justamente por causa dessa “corrida pelo ouro” – sendo o “ouro” em questão nós, usuários, com todas as nossas interações, particularidades e os dados gerados a partir disso – que alguns rumores apontaram para o Facebook, a Google e a Microsoft flertando com o Twitter sobre uma possível compra do serviço de microblog. Este último estava sendo avaliado entre US$4~10 bilhões, valores muito acima de sua receita que sequer ultrapassou os 200 milhões em 2010.

Sim, há uma grande discussão em torno da formação de uma “bolha” das startups de tecnologia, mas mesmo desconsiderando a supervalorização não tenho dúvidas de que o Twitter ainda seria avaliado na casa dos bilhões. Estamos falando de mais de 50 milhões de usuários ativos compartilhando detalhes de seu cotidiano e/ou informações de seu interesse a todo momento. Que empresa de serviços web não gostaria de ter acesso a tais dados? O Facebook então nem se fala. São 600 milhões de usuários ativos, você pode deduzir o resto.


Recrutamento online: O caminho inverso

Se você está no mercado de trabalho ou tentando entrar nele com certeza já ouviu ou leu algo a respeito de como as empresas estão utilizando as redes sociais para analisar os perfis de seus funcionários e candidatos dos processos seletivos. Nesse post não pretendo me alongar sobre a importância dessa prática, mas sim alertar para uma reflexão acerca da forma como ela é realizada.

Excessos a parte, tais como casos de racismo e homofobia, o que me preocupa é até que ponto certas informações são realmente relevantes para a empresa e o grau de importância que se atribui a tais informações na análise de um profissional. É perfeitamente compreensível e até recomendável a um recrutador atentar para o perfil de um candidato ou funcionário no LinkedIn, por ser uma rede social voltada para a interação profissional, mas será justo julgar alguém pelo conteúdo que publica em seu Orkut ou Facebook?

Não se deve pensar apenas no “o que” do conteúdo publicado, mas do “como”, “onde”, “quando” e “para quem”. Voltando ao caso do Facebook e do Orkut, são mídias sociais voltadas para o relacionamento entre pessoas com outras que aceitam em seu círculo social, por isso mesmo a lista de contatos aparece como “Amigos” e não “Contatos” ou “Conexões”, como no LinkedIn. É esperado, portanto, que diálogos e conteúdos publicados nessas mídias tenham um teor mais informal e pessoal. Certa vez ouvi que essas mídias são uma extensão da mesa de bar, e penso que não há nada de errado com essa idéia salvo a ocorrência de atitudes excessivas tal qual evita-se na mesa de bar.

Outro fator que deve ser observado com cuidado são os “antecedentes virtuais” da pessoa. Sabemos que (quase) tudo que é colocado na rede é perpetuado de alguma forma, mas será que devemos julgar alguém por um posicionamento ou atitude tomada há, digamos, 5 anos atrás? Talvez, repito, talvez seja válido questionar a pessoa a respeito daquela situação, mas evitar pré-julgamentos nesses casos é fundamental. Lembre-se que você mesmo mudou de opinião ou fez escolhas que não faria novamente nesses 5 anos. Isso faz parte do processo natural de amadurecimento.

Ouço (e até repito) constantemente que as mídias sociais são “vitrines” para as pessoas mostrarem o que elas têm de melhor ao mundo. O problema é quando alguns assumem que “ao mundo” resume-se “às empresas”. Vejo uma tendência à subversão da idéia das mídias sociais como forma de interação entre pessoas em seu amplo significado para tentar enquadrar essa interação dentro da lógica e dos interesses do universo corporativo.

Portanto, aos candidatos e profissionais, atenção ao que publicar sempre será necessário, mas quando estiver na sua mesa de bar virtual lembre-se de ser divertido e interessante com seus amigos. De igual forma, quando estiver na mesa de negócios não precisa compartilhar aquele novo remix do “Sou Foda”. Ah, e vale lembrar da regra de ouro, blogs e mídias sociais não são lugares para resolver seus problemas com quem paga seu salário!

Aos recrutadores e headhunters, use as informações sobre seus funcionários e candidatos de maneira sábia e ponderada, atentando que na internet valem as mesmas regras de respeito ao próximo que prevalecem fora dela. Evite tomar decisões a partir de idéias baseadas na análise de um perfil online que não tenha sido formulado com propósitos estritamente profissionais. O mercado e a sua empresa agradecem!