Thalles Waichert

Jornalista, blogueiro e pesquisador. Concluí minha graduação em 2009, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com passagem pelo Laboratório de Internet e Cultura (Labic), onde atuei como bolsista de Iniciação Científica durante dois anos. Nesse período, desenvolvi meu trabalho de maior expressão - "Cartografias da Blogosfera: uma abordagem sobre a produção de Sociabilidade, Linguagem e Subjetividade nos blogs". Tive rápida passagem pelo Terra Networks como redator. Hoje atuo como Produtor de WebTV na Prefeitura Municial de Vitória/ES e sou mestrando em Psicologia Social na Ufes.



Adolescente é vítima de enxameamento social ao marcar aniversário pelo Facebook

O que você faria se 200 mil pessoas confirmassem presença para seu aniversário no aplicativo de eventos do Facebook? Isso aconteceu com uma adolescente autraliana de 15 anos. Jess já havia se frustrado com uma festa dada em sua casa na qual apareceram apenas 2 pessoas. Para seu aniversário de 16 anos ela então decidiu criar um evento no Facebook para o dia 26 de março, convidar alguns amigos e orientá-los a convidar outros amigos. Além disso, Jess marcou o evento como público e disponibilizou seu número de celular e o endereço de sua residência.

O convite espalhou rapidamente e acabou se tornando viral. Mas a situação ficou complicada quando criaram uma duplicata fake de seu evento, copiando as mesmas informações. Em 24 horas, 20 mil pessoas confirmaram presença. O celular de Jess passou a ser bombardeado de mensagens e, irritada com a situação, a adolescente mandou um recado grosseiro para todos, deletando o evento na sequência.

Como várias publicações no mural do evento eram acompanhadas do símbolo do grupo hacker Anonymous, acredita-se que o enxemeamento social foi alguma travessura dos ativistas. Em pouco tempo o evento fake já havia atingido 200 mil confirmações.

O pai de Jess deu entrevista ao The Telegraph afirmando que sua filha é uma vítima e não sabia usar as configurações de privacidade. Ainda segundo o pai de Jess, ela estava ansiosa por seu aniversário e agora ele terá que ser cancelado. Dia 26 de março a polícia local irá fazer rondas na residência de Jess para garantir que nada lhe aconteça.

O jornal The Telegraph fez um vídeo com alguns prints que vale a pena ver:

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Novo aplicativo automatiza a criação de perfis criativos no Facebook

Lembram de Alexandre Oudin? É um artista francês que lançou moda com uma forma diferente de dispor as fotos no novo perfil do Facebook. Ele inspirou um catatau de gente e fizemos até uma coletânea de ‘hacks’ criativos em perfis.

Pegando carona na nova moda, o Facebook lançou um aplicativo que faz isso de forma automatizada para você. Com o Profile Maker, basta subir sua foto e ajustar os recortes que o aplicativo cria. Muito fácil de usar!

ProfileMaker

O interessante é que algum tempo atrás eu publiquei um post em meu blog fazendo uma análise de algumas novas funções que são lançadas para ajudar a vida do usuário e acabam atrapalhando. Salvei o Facebook como exceção, dando os devidos créditos ao conceito de fanpage que eles criaram.

O Profile Maker entra nesse hall de produtos lançados a partir da demanda do próprio usuário. Ponto para a turma do Facebook!

Via All Facebook.

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A obsessão pelo Facebook em números

Para pensar…

Uma em cada 13 pessoas no mundo possuem perfil no Facebook.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a rede social não impacta apenas a geração Y: 30% dos usuários do Facebook têm mais de 35 anos.

Nos EUA, 71,2% dos internautas são usuários do Facebook. Ainda assim, 70% da base de usuários do Facebook está fora dos EUA.

48% dos jovens norte-americanos dizem ler notícias através do Facebook. Uma leitura mais singularizada do mundo se desenha.

750 milhões de fotos são publicadas na primeira semana do ano. A cada 20 minutos, quase 3 milhões de fotos são compartilhadas. E, como isso, singularizam também sua própria forma de narrar o mundo.

facebook infográfico infographic obssession

Via Mashable


Ted Willians: voz de ouro, redes sociais e transformação social

O hype do momento é o ‘vozerão’ do ex-indigente de Columbia, Ohio. Ted Willians, dono da voz divina, costumava ficar a beira de uma estrada fazendo exibições com seu dom para ganhar qualquer trocado. Sua sorte mudou no dia que o repórter de um jornal local, Doral Chenoweth, resolveu parar para ouvir a tal voz. Filmou a conversa e subiu para o Youtube sem grandes pretensões. Em poucas horas, o vídeo havia sido visualizado mais de 3 milhões de vezes. Hoje já ultrapassa 12 milhões.

Doral Chenoweth utilizou o espaço destinado a descrição do vídeo para postar updates sobre as mudanças na vida de Ted após a viralização de sua história. Por sinal, história essa que já é rica por essência: o sujeito definitivamente tem uma voz perfeita, já trabalhou em rádios, se envolveu com drogas e terminou pedindo esmola nas ruas. Em questão de três dias, Ted tem casa, emprego e dignidade. Além de fama, muita fama.

Internet, redes sociais e transformação social

A história em si provavelmente a maioria já conheça. Para os que não conhecem, recomendo a leitura desse post do blog A Quinta Onda. Meu interesse é ir um pouco mais a fundo em outras questões que tocam esse acontecimento.

Em primeiro lugar, tudo começou graças a atitude de alguém filmar, editar e subir um vídeo sobre a história de Ted Willians. Esse é o primeiro ponto: a narrativa surge através da colaboração. Fábio Malini fez um ótimo apontamento sobre jornalismo colaborativo em seu blog que cai como uma luva nesse contexto:

É dentro dessa historiografia menor, inscrita em hashtags, tweets, posts e memes online, totalmente profusas e polissêmicas, que penso ser importante interpretar o que autores insistem em denominar de “jornalismo colaborativo” ou “jornalismo participativo” – termos que revelam que a prática da imprensa é algo hoje internalizada em qualquer cidadão que tem seu canal de comunicação online.

No caso que observamos, Doral Chenoweth fez esse exercício de percepção. Tudo bem que ele trabalha com produção de notícias e já tem o olhar viciado em procurar novas histórias. De qualquer forma, Chenoweth poderia ter apenas achado engraçado um cara mal vestido com uma voz tão perfeita, filmado e colocado no youtube com a descrição “hauhauhauha”. Mas ele foi além. Ouviu a história da voz, deu nome e acompanhou sua repercussão. O curioso é que o espaço de descrição do vídeo no Youtube se transformou num espaço com mais audiência que muitos jornais por aí.

Esse foi o “pulo do gato”. Talvez sem perceber (ou até mesmo conscientemente), Doral Chenoweth incitava as pessoas através de seus Updates. Infelizmente o vídeo original fora deletado e toda essa narrativa que deu origem a essa epifania se perdeu. Através dos comentários (mais de 50 mil) as pessoas organizaram de forma caótica e descentralizada um mutirão de ajuda a Ted Willians. É o poder da multidão.

Da ação ao click e vice-versa

Li uma crítica sobre o clicktivismo muito lúcida que em breve publicarei sua tradução no iMasters. A crítica se baseia no argumento de que uma transformação social não se faz com clicks, muito embora o sucesso de uma ação social precisa contar com tal recurso. Em curtas palavras o artigo diz: você não vai mudar o mundo com seu mouse.

O caso de Ted Willians é um exemplo perfeito. Não fosse o surto de viralização da mensagem, Ted estaria neste momento pedindo esmola no mesmo lugar. Mas se também não fosse o olhar diferenciado de Doral Chenoweth, não estaríamos falando de Ted. E ainda: se não fosse a narrativa construída por Doral Chenoweth, os 50 mil comentaristas no vídeo e os jornais que propagaram ainda mais a história, talvez Ted tivesse apenas ficado famoso sem nenhuma transformação efetiva.

O ponto onde quero chegar para finalizar esse raciocínio é que o caso de Ted revela uma forma de organização típica da nossa geração. Não há papéis, hierarquias ou estruturas para realizar uma ação. Cada um desempenha um papel peculiar ditado por si mesmo de forma totalmente caótica para a narrativa da História (do ponto de vista historiográfico mesmo), mas que faz todo sentido para quem está dentro da história no momento da ação.

No final, uma mensagem do vídeo de Doral Chenoweth que guardei na memória:

Se você andar por aí e se deparar com uma história sensacional como essa, não ache que ela ganhará vida por conta própria. Isso não vai acontecer. É preciso ação.

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Time escolhe ‘pessoa do ano’: o que Zuckerberg e Assange têm em comum?

Ele é hacker, tem relações familiares conturbadas, já foi preso mais de uma vez e é considerado o inimigo público número 1 do Estado moderno. Já o outro, também é hacker, filho de dentista, família estruturada e estudou em Harvard. As distintas trajetórias desses dois homens os levaram a um ponto em comum: ambos são personalidades do ano pela Times. O primeiro é Mark Zuckerberg, escolhido pelo corpo editorial da revista. O segundo é Julian Assange, escolhido pelo voto popular.

A revista que já elegeu Hitler, Stalin, Bush (pai e filho), elege agora Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Mas sejamos justos: a Times também já fez boas escolhas, como em 2003 quando elegeu “Você” como personalidade do ano. Porém, precismos lembrar qual o critério utilizado pela revista norte-americana. Consta na Wikipedia que a escolha se dá pela influência: “para melhor ou para pior… quem mais exerceu influência nos acontecimentos do ano” é escolhido.

O sonho de Zuckerberg

Muitas empresas já se ofereceram para comprar o Facebook de Zuckerberg. Uma delas, a Microsoft, chegou a oferecer US$ 15 bilhões. O nerd recusou sem nem pensar muito. O motivo, segundo ele, é simples:

“Não é por causa da quantidade de dinheiro. Para mim e meus amigos, a coisa mais importante é criar um fluxo aberto de informação para as pessoas. Ter um conglomerado detendo diversas corporações de mídia não é uma ideia atrativa para mim” Fonte: Wikipedia

Mark sonha com a liberdade e transparência. Assange também. O que faz com que Mark esteja milionário e Assange preso?

O calvário de Assange

O conceito de liberdade e transparência dos dois nerds é bem parecido. Mas enquanto o de Zuckerberg se aplica a vida privada, o de Assange se aplica a vida pública. Aqui temos a inversão de papéis e entendemos o porquê do sucesso de um e do calvário do outro.

Tornar a vida privada objeto de transparência total pode se traduzir em controle e vigilância. O sonho de Zuckerberg, nesse sentido, pode então ser a mais poderosa arma de controle social para o poder público e investimento social para o capitalismo. Você pode saber tudo sobre as pessoas através do Facebook.

Publiquei em outra ocasião um post sobre controle e vigilantismo na web 2.0. O post trazia uma entrevista com Eben Moglen, professor de Direito da Universidade de Columbia. Recomendo a leitura na íntegra do post, mas a parte que mais nos interessa é o papel das redes sociais nessa coisa de vigilância. Segundo Moglen, o negócio das redes sociais (e aqui o Facebook é a empresa mais bem sucedida) é a espionagem deliberada. Calma, não é teoria da conspiração. O professor nos alerta que a informação é a moeda mais valiosa para o capitalismo do século 21. Nesse sentido, “A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos. É uma péssima troca para o usuário – degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário”.

Assange inverte essa lógica. Aponta para o terreno do poder público os faróis da liberdade e transparência com seu WikiLeaks (que trazem embutidos o controle e a vigilância). Oras, o Estado não quer ser vigiado pela sociedade civil. Nunca quis. Por isso, a cabeça de Assange foi a prêmio e acabou sendo preso e condenado por outro crime (abuso sexual e estupro) para silenciá-lo.

Claro que não deu muito certo. Vocês conhecem a história. A prisão de Assange desencadeou uma onda de contra-ataques a todos serviços que cortaram relações com o wikileaks. O Paypal, por exemplo, sofreu o que foi chamado de “payback” – pessoas de todo o mundo incentivaram clientes do Paypal a retirarem seus investimentos do serviço a fim de prejudicá-lo. Esse fato junto a outros, desencadeou o que foi considerado a primeira ciberwar do mundo, que está acontecendo agora mesmo.

Liberdade, controle e vigilância

Zuckerberg e Assange serem considerados personalidades do ano pela Time prepara um perigoso terreno para 2011. Se os nerds foram os homens do ano, “liberdade” foi a palavra. E em 2011, é bem provável que os discursos em torno dessa expressão ganhem dimensões nunca antes vistas. A capa da Time desta vez revela o que está por vir, não o que se passou.

Torçamos e lutemos para que em 2011, “liberdade” seja a personalidade do ano. Pois há chances de vermos estampado na Time as palavras “censura e controle”.


Meus pais estão no Facebook! E agora?

É questão de tempo: se seus pais não estão no Facebook, não vai demorar para eles aderirem. Como mostramos aqui no Web Diálogos em post anterior, o Orkut ainda é a rede social que domina no Brasil (com 26 milhões de usuários contra 9,6 milhões do Facebook). Mas esse número já encosta no badalado Twitter (com 9,8 milhões).

Benefícios, funcionalidade e limitações

Em uma análise rasteira poderíamos apontar que o sucesso do Orkut é puramente ocasional. Nos dias de hoje todo mundo precisa de email. E todo mundo que tem email quer enviar fotos, recados e correntes para seus amigos. O Orkut facilita esse processo e de quebra avisa quando é o aniversário dos seus amigos. Falo isso em nome de meus pais. Observo que eles estendem o uso do email para o Orkut e qualquer funcionalidade a mais ou a menos torna a coisa meio confusa.

Já apresentei o Twitter a minha mãe. Ela precisava entender com o que eu trabalho. Logo de cara foi possível perceber que não a interessou. Não há uma página de perfil com informações sobre as pessoas. A lógica é outra: nos movemos por ondulações, ao passo que no Orkut o movimento se dá por sucessão de camadas. Explico melhor: o twitter permite nos inserirmos em uma agenda a partir da singularidade e subjetividade (ao contrário do que acontece, por exemplo, no jornal, onde nos inserimos na agenda através da pragmática e objetividade). O Orkut se move ao contrário: a partir da singuraliridade e subjetividade ele cria a agenda (festa, reunião familiar, viagem e etc). Por isso fica difícil entender quando se fala aos pais: trabalho com mídias sociais.

O Facebook trafega nas duas vias ao mesmo tempo, o que provoca interesse nos heavy users (esses carinhas do Twitter, como nós, que gostam dessa leitura modular do mundo) e também nos seus pais. Previna-se, seus pais vão entrar no Facebook. Eis a questão: adicioná-los ou não? Enquanto eles ainda não entram, divirta-se com esse divertido diagrama:

Via @interney
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