A mídia social vai morrer!
Calma, a coisa não é tão simples assim. Com a personalização e a socialização do conteúdo, sobretudo do conteúdo digital, o conceito atual que temos de mídias sociais pode se tornar defasado em breve, pelo menos é o que defende Vadim Lavrusik em seu artigo ‘The future of Social Media in Journalism’ publicado no @Mashable esta semana. Segundo ele, a mídia tradicional como conhecemos, deve se tornar cada vez mais social, portanto, não seria mais necessário distinguir as mídias tradicionais das mídias sociais.
Lavrusik afirma que as novas ferramentas inspiram os leitores para que se tornem ‘jornalistas cidadãos’ com mais freqüência, pois podem publicar e trocar informações muito mais facilmente. O futuro do jornalismo vai depender cada vez mais do engajamento destes cidadãos, e é por isso que as redações dos grandes veículos devem se preparar para utilizar esse conteúdo colaborativo em suas notícias, fazendo uso, inclusive, dos conteúdos dos blogs, que ficam cada vez mais fortes e credíveis.
Jornalismo Participativo
A reportagem em si, é, de certa forma, colaborativa em sua essência, pois precisa do envolvimento do repórter com suas fontes. Mas, o que o jornalismo participativo (ou colaborativo, ou open source, etc), pede é um envolvimento e uma combinação do conteúdo jornalístico com o conteúdo cidadão. “O jornalismo se dará através da reportagem colaborativa, onde a testemunha (fonte) se tornará o repórter”, diz @DavidClinchNews, diretor editorial do Storyful e consultor do Skype.
“O Jornalista tem que mudar rapidamente suas concepções. A comunidade não é só feita de possíveis fontes ou de público leitor. Os dois são a mesma coisa” – David Clinch
Mas, as mudanças não são tão simples. O jornalista aprende que deve decidir o que é notícia e assim, encontrá-la e torná-la pública, constata @Hermida, professor de jornalismo na Universidade da Columbia Britânica. “(As mídias sociais) têm um potencial para grande engajamento e conexões com a comunidade, mas, somente se os jornalista estiverem dispostos a ceder um pouco do controle editorial para a comunidade”, salienta o professor.
“As mídias sociais, por definição, são meios participatórios” – Alfred Hermida
Basta uma olhada pelo Twitter e, muitas vezes pelos Facebook de alguns portais de notícias (inclusive brasileiros) e vemos que muitas notícias parecem ‘conversas’ com tantos comentários. O jornalista agora precisa ser um community manager, ou seja, algo como um ‘editor de interativade’, ou mesmo um mediador de interatividade*. É preciso ouvir as diferentes vozes da comunidade e torná-las públicas. Essas ‘vozes’, sempre existiram, mas ficavam perdidas em situações do cotidiano, agora, elas podem ter seu espaço na Web e os jornalistas precisam pensar cada vez mais em como utilizá-las, adverte @michelemclellan jornalista e consultora do Knight Center.
Procurar informações e simplesmente relatá-las não é o que se pede de um profissional de comunicação digital. Agora, deve-se gerenciar e amplificar os diálogos entre os cidadãos, esse é o futuro da comunicação. Ser cada vez mais SOCIAL.
* Obrigado a @lilianeferrari que me deu uma #tweethelp na tradução do termo
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Imagens: blog.ecomm.com.br e cafecomnoticias.blogspot.com
Eloy Vieira
Estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe. Atualmente é bolsista de iniciação científica e estuda sobre Economia Política da Internet com ênfase em redes sociais.

