WikiLeaks pode funcionar no Brasil?

A última semana de Julho foi marcada por um acontecimento sem precedentes na história da internet: aproximadamente 92 mil documentos militares secretos sobre a guerra do Afeganistão foram publicados pelo site WikiLeaks. Desde então o site vêm se tornando bastante conhecido internacionalmente ( com muitos picos de queda na conexão, devido aos altos índice de acessos).

Buscas por "WikiLeaks" disparam no google

No Brasil, entretanto, o cenário é um pouco diferente: pouco se fala do wikileaks, até mesmo pouco se entende dele. Na excelente matéria de Tiago Dória, retrata-se um pouco sobre o cenário do wikileaks, e tenta-se compreender um pouco melhor sua funcionalidade: “Na prática, funciona como ponte entre denunciantes e o público em geral. A pessoa envia os documentos ao Wikileaks, tem a sua identidade mantida em sigilo e as informações são tornadas públicas.”

Num país onde as grandes mídias são centralizadas e unidas, onde o senado já foi palco de tantas vergonhas, onde a própria policia não parece se importar com a opinião dos cidadãos, podemos considerar o wikileaks como uma solução para a denúncia da corrupção e problemas em geral no nosso país?

Mesmo que o WikiLeaks distribua a informação de maneira “bruta”, isto é, apenas os documentos, já pode ser um grande passo para que blogueiros e jornalistas independentes possam produzir matérias que visem denunciar problemas administrativos brasileiros.

Imaginem só, nesta época de eleições, o estrago que o wikileaks poderia causar se os brasileiros soubessem de sua existência? O fato, entretanto, quando comparado à outros de repercussão estrangeira, ganha pouco sentido no Brasil. Tenha, por exemplo, o caso recente do Golfo do México.

Um site, como a Wikipédia, já provou que é possível acabar com o monopólio da informação: “a informação quer ser livre”, escrevera Chris Anderson em seu livro “Free”(2009). A colaboração virtual afeta o mundo real. Embora muitas pessoas (despreparadas, diga-se de passagem) busquem impedir o acesso às informações, a internet dispõe de meios de impedir o bloqueio de dados. Por mais que um determinado software ou arquivo esteja protegido por senhas, pagamento, criptografias, um dia, cedo ou tarde, estará à disposição de quem quer que seja/deseje.

Não faço aqui apologia à qualquer tipo de pirataria ou cracker, apenas exponho minha visão em fatos empíricos: o Pirata Bay vai muito bem, obrigado. Apesar dos processos que sofreu, ainda disponibiliza milhões de torrents que seriam considerados “ilegais”. A última temporada da série “Lost” bateu recordes de audiência – mas não na AXN, e sim em comunidades do Orkut, blogs e fóruns que disponibilizaram downloads gratuitamente.

O que faço aqui é, sim, um apelo: que este site se torne mais conhecido em todas as camadas da sociedade brasileira: de estudantes a jornalistas, de ricos a pobres. Divulgando informações de políticos corruptos, a rede nos ajudará a escolher políticos melhores, devemos utilizar a internet de forma democrática, que nos ajude a construir um país melhor. A informação quer ser livre, e nós, também.


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Tiago Nogueira

Tiago Nogueira, Campeão Mundial em Tecnologia da Informação pela WorldSkills International em Calgary, Canadá, em 2009, É Pesquisador em Estética da comunicação com paixão pela área de novas mídias e comunicação digital.


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    [...] WikiLeaks pode funcionar no Brasil? [...]

  • http://www.webdialogos.com/2010/cibercultura/wikileaks-ataca-novamente-afinal-a-quem-pertence-a-informacao-wikileaks-privacidade/ WikiLeaks “ataca” novamente. Afinal, a quem pertence a informação? | Web diálogos | Comunicação Digital

    [...] (sábado, 23) o Wikileaks liberou cerca de 500 mil arquivos da guerra do Iraque (e em Julho, o Wikileaks liberou mais de 90mil documentos sobre a guerra no Afeganistão) afirmando a morte de 15 mil pessoas a mais que os relatórios oficiais divulgaram. Isso não [...]