TSE + Google Earth. Em que isto ajuda, de fato, o eleitor?
O processo eleitoral brasileiro acaba de ter mais um capítulo da sua evolução. A entrada do Google na jogada tem um primeiro beneficio óbvio. O TSE divulgou, por exemplo, o “Guia Eleitor”, que utiliza a avançada tecnologia do Google Maps, onde o cidadão pode localizar e visualizar o seu local de votação, obter informações de sua Zona, pesquisar o melhor trajeto a ser percorrido entre sua residência e sua seção eleitoral.
Agora, como publicamos nesta semana, a Google, com a utilização do Google Earth, exibirá em tempo real a apuração dos votos. Por hora, queremos fazer apenas um questionamento nesse post: mas em que isso nos ajuda?
TV e rádio tradicionalmente acompanham, através de plantões, as apurações dos votos. Fato, a grande diferença dos serviços Google é a chance que teremos de acompanhar pela primeira vez, do conforto dos nossos lares, sem o fuzuê do eleitorado, os votos da nossa região, e de quaisquer outras que queiramos, em tempo integral e com a liberdade de focarmo-nos na sessão desejada.
Problema mesmo é que o Google nos dará uma falsa segurança. Ela desvia mais uma vez a atenção do verdadeiro problema. Ainda que os brasileiros acompanhem na internet as eleições em tempo real, o numero que será divulgado é o total de cada urna aberta. Afinal, a nossa aclamada urna eletrônica não nos permite fazer apuração voto a voto. E se você, meu caro internauta, que diante do Google Earth tem o interesse de acompanhar as benditas apurações fica em duvida quanto à veracidade dos dados divulgados; O que faz?
Nada. A urna eletrônica brasileira não permite recontagem em caso de dúvidas. Qualquer um que entenda um pouco de programação sabe que é possível se criar uma linha de código, dizendo que a cada três votos para um candidato, um vai para o outro – por exemplo. O mais legal é que se isso ocorre, não há nada a se fazer (vai contando…). Há casos de pequenos vereadores que não tiveram sequer os votos que deram a si mesmos computados!
Ai você me pergunta: mas não tem auditoria? Sim, tem. Mas ela é muito limitada.
A Justiça Eleitoral, em se tratando de eleições, é um poder absoluto. Ela legisla, por meio das resoluções, executa a eleição, monta toda a estrutura eleitoral, e depois ainda julga qualquer processo pertinente ao pleito. Então se alguém questiona a urna eletrônica, quem vai julgar é o mesmo cara que administra a urna, que é o mesmo cara que também fez a regra de como ela funciona. Riu alto?
É difícil haver alguma autonomia nesse caso. E os partidos confiam cegamente. O TSE defende cegamente.
Que o próximo anuncio de parceria do supremo seja mais voltado a eleições sérias do que ao fetiche moderninho que o assola desde que eles aprenderam o termo “Eleições 2.0” e eles decidiram fechar os olhos de vez quanto ao acompanhamento que damos ao pleito online (depois de admitir que simplesmente não podem controlar o conteúdo da Internet).
“O Google é meu pastor e nada me faltará!”
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[Imagem: craceara.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=180:eleicoes-virtuais-do-sistema-cfacras-serao-em-outubro&catid=1:ultimas-noticias&Itemid=59]
Ana Célia Rocha
Pesquisadora em Comunicação Digital e fenômenos de Agendamento online. Atualmente, coordena a campanha em RTV do PSOL/AL. Sempre que tem mil coisas para fazer, entra em parafusos e não faz nada.

