O jornalista cada vez mais publicitário
“O jornal moderno virou um veículo sem palavras, já que prioriza a cor, as letras garrafais e a foto hiperdimensionada em detrimento do conteúdo da informação”, essa é a dura crítica que Leandro Marshall, professor de Sociologia da Comunicação, faz ao que ele mesmo chama de mutação do jornalista pós-moderno. Mas o que a pós-modernidade tem a ver com o jornalismo e a publicidade? Tudo!
Em seu livro “O jornalismo na Era da Publicidade”, o estudioso defende que a imprensa sofre uma mutação devido ao fato de que o jornalismo serve tanto ao mercado quanto à publicidade na era pós-moderna. A notícia se transforma num produto a serviço do mercado. “O jornalista pós-moderno vira refém de uma lógica avessa ao interesse da informação, mas simpática aos interesses da empresa e do mercado o jornalista da era pós-moderna anula o senso crítico e a capacidade de reflexão”, defende Marshall, que ainda alfineta. “Quem determina a matéria é o que dá mais audiência ou mais lucro”. É aí que está a similaridade do jornalismo com a publicidade, a informação jornalística passa a ter a mesma função da informação publicitária: Vender.
A publicidade obriga o jornalismo a se submeter às suas imposições ameaçando a verdade e o objetivo jornalístico como tribuna do povo.
Leandro Marshall
Para Rafael Gomes, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe, até o conceito de pós-modernidade é questionável, por isso, o conceito de jornalismo pós-modernos, segundo ele, também pode estar em cheque. “A História do Jornalismo nos mostra que desde a constituição do jornalismo como empresa, a concorrência e os interesses corporativos sempre se fizeram a par do trabalho do jornalista, portanto, estas características são típicas do jornalismo como empresa de comunicação. Além disso, é possível produzir conteúdo informativo satisfazendo interesses corporativos sem que haja prejuízo na produção do conteúdo”, defende.
Uma das melhores maneiras de fazer com que o conteúdo se torne mais ‘palatável’ para todos os gostos, ou seja, fazendo o que o próprio Marshall chama de ‘jornalismo cor-de-rosa’, é preciso aproveitar de tudo o que o design pode oferecer ao apelo imagético que a sociedade pós-moderna demanda. “Esse tipo de linguagem jornalística chamamos de ‘jornalismo cor-de-rosa’, no qual o objetivo é agradar a todos. Seja leitor, usuário, consumidor, cliente, dono, anunciante etc.”. Em contrapartida, Rafael acredita que toda essa influência do design sobre o Jornalismo é fruto da evolução da atividade jornalística. “Desenhos, formas, chamam a atenção do produto, mas, nem por isso se tornam características pós-modernas e sim, processos gradativos de evolução na produção jornalística”, julga.
As indústrias de comunicação de massa encontraram diversas formas de atrair a atenção de seus produtos. O Jornalismo soube aproveitar essas técnicas.
Rafael Gomes
É este ‘jornalismo cor-de-rosa’ que apela para a informação não-textual como imagens e infográficos dinâmicos, principalmente por ser mais atrativa que o texto por si só. Ou seja, a multimidiatização e a incorporação de vários elementos visuais que vemos diariamente na Web, nada mais é do que uma conseqüência da pós-modernidade na comunicação em que segundo Marshall “se cria um jornalismo pautado apenas pela estética da mercadoria, do marketing e do mercado”. A pós-modernidade traz um jornalismo que se reformula e deixa pra trás seus valores sócio-históricos. Mas não é o que sustenta Rafael. “A pós-modernidade” influencia a cultura profissional e as rotinas produtivas do jornalismo. Cada vez mais consumimos mais informação, o que demanda uma maior agilidade do profissional e da instituição”. Portanto, o Jornalismo se modifica sim, mas, só espero que ele não se torne vazio e sem sentido como profetiza Marshall. #prontofalei.
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A sociedade no reino das representações da imagem
Agradecimento a @Mahtchelo por ter elaborado a imagem exclusivamente pra este post! ;D
Fonte da outra imagem: http://blog.improveit.com.br/articles/2008/11/04/web-designer-precisamos-do-seu-poder
Eloy Vieira
Estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe. Atualmente é bolsista de iniciação científica e estuda sobre Economia Política da Internet com ênfase em redes sociais.

